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O Sudário de Turim (2):Prova de existência de Jesus e de sua Ressureição

abril 9, 2010

O tecido

O sudário é um lençol de linho, com restos de algodão entre os fios, tecido mediante a técnica de “sarga de cuatro” em espinha de peixe. É um pano de uma qualidade soberba, fino, de 234g/m² . Na verdade são duas peças, uma das quais mede 8 cm e está costurada pela esquerda. Faltam-lhe duas pontas (possíveis souvenires ou intercâmbio de relíquias? Também há evidências históricas dessa possibilidade). A única finalidade dessa peça é centralizar a imagem.

Na Europa não havia teares que tecessem esse tipo de tecido na metade do século XIV, técnica que só apareceu no final desse século. O linho era praticamente desconhecido e o algodão mal se trabalhava. No entanto, essas são as características dos tecidos do oriente próximo no Século I.

O tecido foi lavado com extrato de pau- sabão, uma planta rica em saponina, composto altamente fungicida que contribuiu para a conservação, ao longo dos anos, do Sudário.

Sobre ele aparecem impressa três tipos de manchas:

chamuscos:  O lençol sofreu, ao menos dois incêndios conhecidos ( 1510- 1532). No último, o relicário de prata onde era guardado chegou a se fundir em parte, as gotas atravessaram o pano. Note que a prata se funde a 600 graus Celsius. A água utilizada para apagar as chamas deixou uma marca também visível. As partes do tecido perdido foram cosidas pelas freiras clarissas, apesar de que esses remendos tenham sido retirados desde a última exposição do lençol.

– Sangue: Apesar do fato de que devia estar esverdeado depois de tanto tempo, certas manchas ocres denotam a presença de sangue por toda sua superfície.

Uma figura humana, de traços esvaídos, da qual falaremos mais adiante.

 

A hipótese iconográfica

As primeiras investigações sobre a autenticidade do Santo Sudário incluíram a interessante teoria que afirma que o florescimento e a uniformidade dos retratos de Jesus na arte bizantina se deve a um modelo que foi imitado: o rosto de Jesus, tal como aparece no sudário.

De fato, é correto afirmar que Jesus foi representado bastante deformado e bastante feio. Olhos saltados, barba fendida, nariz torcido, inclusive manco. É difícil imaginar como uns artistas que procuravam enaltecer a figura do Messias se atreveram a representá-lo tão ” pouco agraciado”, a não ser que tivessem como modelo uma figura considerada como autêntica imagem de Cristo, na qual sua efígie fosse outra senão o Mandylion de Constantinopla, ou seja, o lençol que hoje conhecemos, dobrado de forma que só ficasse exposto o rosto que ele apresenta.

Na medicina legal, se considera que duas imagens são a mesma coisa quando compartilham aproximadamente 40 características em comum. Os ícones bizantinos e o rosto do Sudário têm mais de 150 coincidências. No “Trémisi” de Justiniano, essas coincidências se elevam a 180.

O pólen

Emitido pelas flores das plantas, o pólen não costuma se espalhar por mais de 8 km a sua fonte emissora. Max Frei, perito em tecidos suíços e expert da Interpol, apresentou em 1976 um estudo realizado com o pólen retirado do Sudário com apenas tiras adesivas que colocou em toda superfície deste.

Além de 12 espécies européias comuns, encontrou 9 tipos de grãos de pólen de espécies vegetais endêmicas[1]  da zona turca ( lembremos a visita do Sudário a Constantinopla e Odessa) e inclusive 8 pertencentes a plantas palestinas.

Em 1978 completou sua investigação, alcançando o número de 48 espécies cujos grãos de pólen tinham se depositado no sudário. Três quartas partes deles pertenciam a plantas da zona da Palestina, 13 delas exclusivas do Mar Morto, algumas existintas desde o século I da nossa era, para as quais foi necessário recorrer aos sedimentos fósseis dos lagos de Genezaret e do próprio Mar Morto

O doutor Ghio, de Zurique, repetiu e confirmou os dados. Atualmente, além do pólen, têm sido estudados os ácaros presentes no tecido, justificando e corroborando novamente os resultados.

Recapitularemos um pouco antes de continuar: existiria um falsificador medieval que percorreria perigosos locais santos em pleno século XVI para adquirir um tecido similar ao que foi utilizado no enterro de Jesus e espalharia nele pólen e ácaros ( que foram descobertos 500 anos depois da invenção do microscópio) da região, alguns deles desenterrados de estratos geológicos antigos?

A figura dupla

 O piedoso advogado Secondo Pia foi o primeiro a solicitar uma permissão para tratar o Sudário no alvorecer de 1898 como um revolucionário descobrimento da época: a fotografia. Com a permissão dada, este homem montou um complexo sistema de impressão que incluía negativos quase do tamanho natural para recolher a imagem do lençol com qualidade. Quando as revelou, não conseguiu conter o grito. A imagem quase imperceptível do sudário tornava-se nítida e precisa nas suas placas, porque as imagens: frontal e posterior, do corpo impresso no lençol estavam impressas na verdade… em negativo.

O corpo do Sudário está impresso numa série de manchas difusas. A 20 cm são quase imperceptíveis e a 10 cm  não se vê imagem nenhuma.

Experiências no microscópio demonstram que a imagem cobre apenas as microfibras mais externas dos fios externos do tecido. Resumidamente, algo com as moléculas superficiais da celulose do linho.

Não absorve líquidos, como sanguem descartando a hipótese de ser uma pintura. Tampouco se encontrou sinal algum de corante, imprecindível em qualquer pintura[2]. A imagem, como um improvável pintura, rompe com todos os cânones desta. Não há sinais de contorno, nem inclinação natural da visão. Não possui iluminação e parece ser frontal, irradiando luz dela mesma . É uma pintura que não descascou nem se alterou oelas dobraduras, a idade ou o calor dos incêndios que sofreu. Não há líquido, nem capilaridade e a única explicação para a sua impressão consiste em ” uma alteração química da celulose dos fios do linho”, provocada momentaneamente que produziu um ressecamento deles.

Mas, o mais estranho é que a imagem está em negativo. Este halo fantasmagórico que se contempla mais nitidamente desde longe (uns 2 metros) ganha vida e uma presença indescritível ao ser contemplado no negativo da sua foto. A imagem está impressa “ao contrário” de como costumamos visualizar as coisas

Como negativo, a luz projetada é perpendicular a superfície da tela, e emerge do cadáver por inteiro, incluindo cabelo e unhas. Portanto, a impressão na tela dessa imagem depende da distância do corpo que envolveu o lençol e a superfície desta, já que o cabelo, esse sim, parece na sua cor natural. Como a intensidade é igual na parte dianteira e posterior e a imagem das costas, glúteos, coxas não está aplainada, o corpo carecia de peso no instante da foto, ou seja, permanecia suspenso.


[1] Um endemismo é uma espécie de animal ou vegetal que só pode ser encontrado num local muito específico do planeta, geralmente de pouca extensão.

[2] Durante a investigação McCrone ficou famoso por ter detectado o ferro, pigmento muito comum em tinturas. Posteriormente provou-se que era o ferro hemoglobínico, procedente do sangue do sudário, tremendamente abundante, e que  McCrone só o usou para obter publicidade pessoal. Foi gentilmente convidado  a abandonar o STURP, o grupo de cientistas que estuda o Sudário. Curiosamente foi aquele que anunciou aos jornais a data demonstrada pelo C14, que mostrava ser o sudário da época medieval, sem ter recebido os códigos secretos que faziam com que a análise fosse impossível de ser realizada.

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