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Católico Apostólico Maronita!? Isso existe?

fevereiro 16, 2012

Tão Católicos quanto nós!

A Igreja Maronita é uma igreja cristã, do rito oriental, em plena comunhão com a Sé Apostólica, ou seja, reconhece a autoridade do Papa, o líder Igreja Católica Apostólica Romana. Tradicional no Líbano, a Igreja Maronita possui ritual próprio, diferente do rito latino adotado pelos católicos ocidentais.O rito maronita prevê a celebração da missa em língua aramaica. Os maronitas tiveram vários de seus religiosos canonizados ou beatificados.

Os Maronitas são os Cristãos Católicos Orientais que devem seu nome a São Maron. Em documentos siríacos muito antigos, podemos ler esses vocábulos: Os fieis de Beth (casa) Maron, Calcedônios de Beth Maron, aqueles de Mar Maron… Esses vocábulos significam uma única palavra que os substituirá, a palavra Maronita que será dada a um povo que no Patriarcado de Antioquia seguiu a orientação religiosa de São Maron e seus discípulos.

A Igreja Maronita é uma Igreja católica, de rito oriental, em plena comunhão com a Sede Apostólica Romana, ou seja, ela reconhece a autoridade do Papa. Tradicional no Líbano, essa Igreja Oriental possui ritual próprio, diferente do rito Latino adotado pelos católicos ocidentais. O rito maronita prevê a celebração da missa em língua siro-aramaico, a língua que Jesus Cristo falava.

ٍA Igreja Católica possui duas raízes: a ocidental ou romana e a oriental. Dentro desta segunda, quatro são as sedes patriarcais que marcaram sua historia: Jerusalém, Alexandria (Egito), Antioquia e Constantinopla. Dentro do grupo de Igrejas antioquenas existem dois grupos: sírio- ocidental e sírio oriental. A Igreja Maronita forma parte do grupo sírio-ocidental, sendo o siríaco sua língua litúrgica. Integra-se, pois, na tradição cristã oriental, sendo seu povo das raízes mais antigas de toda a Cristandade.

A Igreja Maronita é a única entre todas as Igrejas orientais que permaneceu em plena comunhão com Roma durante todos os séculos, apesar das tremendas provações suportadas pelos Maronitas e causadas pelos Monofisitas, Bizantinos, Mamelucos e Otomanos ( Turcos). Além disso, essa Igreja constitui um fato único dentro da Igreja universal. Ela é a única no mundo que nunca teve uma facção separada do Catolicismo.Todas as outras Igrejas Católicas têm paralelamente a elas uma ou mais Igrejas gêmeas separadas do Catolicismo. Assim da Igreja Latina ou Romana se separaram os Protestantes e os Anglicanos. Todas as Igrejas Orientais Católicas – menos a Igreja Maronita – se dividem em duas facções desiguais, uma Católica e outra Ortodoxa.

A Liturgia Maronita

A liturgia Maronita pertence, por sua origem, ao grupo de liturgias siríacas antioquenas. No século IV, a língua literária do povo de Antioquia era o grego. Mas o siríaco foi a língua vernácula da população rural. São João Crisostomo (345-407) disse que do seu tempo, o povo das aldeias vizinhas de Antioquia que vinham a esta capital para as grandes festas, participavam ao ajuntamento da celebração eucarística, mas não entendiam a homilia feita em grego. Theodoreto, bispo de Cyr, e originário de Antioquia dizia também, que toda a região que ele conhecia perfeitamente entre Antioquia e Aleppo tinha como língua o siríaco. Por isso, o siríaco na liturgia substituirá pouco a pouco a língua grega, como mais tarde é o árabe que substituirá em grande parte a língua siríaca nos países de língua árabe.

Esta liturgia continua em representar a antiga liturgia antioquena do século IV, apesar de estar carregada, em nossos dias, do que as diferentes camadas da evolução e da historia têm acrescentado nela através dos séculos. Ela é universalmente conhecida sob a denominação de Liturgia de Santiago apostolo, primeiro Bispo de Jerusalém . Dela existem manuscritos desde o século VIII.

Os monges de São Maron conservaram essa liturgia em sua forma primitiva e se opuseram a que fosse bizantinizada. De modo que a liturgia Maronita, apesar das modificações introduzidas, conserva ainda intacto o selo de antiguidade, seu cunho de simplicidade grandiosa e a nota daquelas formosíssimas orações que são como uma compilação poética das Sagradas Escrituras.

A tradição siro-aramaica antioquena se caracteriza, tanto em sua forma teológica como em sua expressão litúrgica e nas articulações fundamentais de sua espiritualidade, por uma adesão à verdade de Cristo. Isto, sem nenhum dos ajudantes humanos filosóficos, aos quais as duas outras tradições, a grega e a latina, recorrem para melhor explicitar e viver o conteúdo da mensagem cristã. A sua própria vocação é ficar o mais perto possível do texto bíblico, recusando toda outra terminologia.

Por isso, em matéria de liturgia, essa tradição se apresenta como uma terceira via situada entre a liturgia bizantina de assunção e a liturgia latina de encarnação. A arte aqui e ali prova a inclinação para um Cristo de gloria e um Cristo de paixão. A liturgia siríaca reproduz, em seu desenvolvimento e na vida das comunidades, um modo intermediário entre esta gloria e esta paixão…A maior parte das orações é fruto delicioso da pena de Santo Efrém denominado “harpa do Espírito Santo”, do grande mestre Jacob de Sarug e de muitos outros padres da Igreja de Antioquia que compuseram, na calma da meditação, estas belas orações. .

A língua, como já falamos, é o siríaco ou siro-aramaico, isto é, o mesmo idioma que falou Jesus Cristo e que lhe serviu na Ultima Ceia para a instituição da Sagrada Eucaristia. A Liturgia Maronita conserva, pois, a nota sublime destas palavras da consagração.

Na concepção dos Cristãos orientais, a renovação litúrgica é naturalmente a primeira direção para a qual devemos tender para elaborar toda renovação eclesial ou paroquial. A liturgia é considerada como o “sacramento do povo de Deus” em marcha para a terra prometida, reunindo-se ao redor do seu chefe, o Cristo, na prefiguração de um ajuntamento final do qual fala o autor do Apocalipse. Com efeito, a palavra “igreja”, em siríaco, é “ Knuchto” e significa: ajuntamento.

Esse povo de Deus estando em marcha, cada homem em particular é um peregrino acompanhado pela liturgia durante toda sua vida: no nascimento, no amor, a alegria e a morte. Para os Orientais igualmente, a liturgia é, por conseguinte, o ponto de partida de toda evangelização e o ponto de finalização da vida cristã. A ação litúrgica na tradição oriental é a principal fonte de alimento espiritual.

Para estudar a renovação litúrgica na Igreja Maronita, é inútil seguir, sem distinção, os critérios em honra na liturgia do Ocidente. Porque a Genesis das culturas e das mentalidades constitui ao Oriente e ao Ocidente personalidades distintas, não superior uma a outra, mas simplesmente diferentes.

O interesse que os Maronitas Libaneses dão à renovação do Missal, eclipsa, a seus olhos, toda outra necessidade de renovação litúrgica. Em quanto o livro do Missal não fosse renovado, eles permanecem cépticos à toda possibilidade de renovação. Este valor dominante, o valor do verbo, é uma das principais razoes que “concentra” a renovação em livros determinados, por nosso caso o Missal. Por isso, a Comissão Litúrgica Maronita empenhou-se em fazer a renovação deste livro que, após varias tentativas, ficou vigente em 2001.

Tem que ser da “civilização da Palavra”, do livro, para compreender o que é a renovação de um livro litúrgico. Parece que a necessidade de permutar tem privilegiado alguns valores típicos da civilização oriental. Pode-se dizer que esta é fundamentalmente a civilização da Palavra. Após a pedra, são as palavras que o homem do Oriente Próximo empenhou-se em polir com perseverança. Esta dupla prevalência da palavra e do escrito é um dado permanente que ressurge até os níveis mais espirituais do comportamento humano.

Podemos dizer, finalmente, que a característica talvez mais evidente da Liturgia Maronita é a de ser popular. Parece claro aqui que a missa é o sacrifício de toda a Assembléia, que dele participa efetivamente. Durante o sacrifício, o povo deve manter um dialogo continuo com o celebrante, e suas aclamações lembram os Primeiros Cristãos rodeando seu Bispo na fração do pão .

Relação dos Maronitas com Roma

Durante quatro séculos, Roma parecia ignorar a existência dos Maronitas, que por sua vez, obrigados ao isolamento na Montanha Libanesa, ignoravam tudo o que acontecia em Roma. Mas, com a chegada dos Cruzados ao Líbano, em 1099, os Maronitas conseguiram retomar o caminho de Roma que lhes era interditado. Assim, se liberaram do isolamento e reataram boas relações com alguns países europeus e especialmente com a Igreja Latina.

Esse fato se explica facilmente ao lembrar que o Patriarcado Maronita tem sido formado e instituído quando as comunicações com Ocidente eram muito difíceis e, mais tarde, as dificuldades aumentaram gradativamente, porque as perseguições perpetradas contra os Maronitas, a partir do século VI, lhes impediram manter importantes relações com o ramo ocidental da civilização cristã. As pequenas relações que os Maronitas conseguiram ter com Roma e a Cristandade ocidental atiravam as suspeitas dos governadores mamelucos e otomanos e as utilizavam como pretexto à novas perseguições. Não é necessário citar aqui os nomes das longas listas do “martiriologio” maronita, onde todas as categorias sociais estão representadas.

Na época dos Mamelucos, as relações sócio-religiosas entre a Igreja Maronita e Roma enfraqueceram muito. Em conseqüência das dificuldades de comunicação com Europa e da tirania dos Mamelucos, não foi possível aos Patriarcas Maronitas conseguirem com facilidade o Paliam, símbolo do reconhecimento pelo Papa da autoridade do Patriarca sobre o povo maronita. Roma fazia o que podia e sabia, nesta situação complicada, encarregando os Franciscanos de Terra Santa de velar sobre as necessidades religiosas e culturais da Igreja Maronita. Eles cumpriam seu dever com muita capacidade e honestidade.

Essas relações durante o sombrio e decadente período do regime mameluco reduziram-se ao intercambio de cartas asseguradas por delegados escolhidos notadamente entre os Franciscanos de Terra Santa. Seu comissariado apostólico assegurava a continuidade dessas relações, desde a sua criação em Beirute, no ano 1444. Os Franciscanos fizeram a consolação dos Maronitas até o fim do século XV. Entre todos eles se destacou um belga, Fra Gryphon. A lembrança de sua missão foi profundamente gravada na memória dos Cristãos Libaneses.

Essas relações melhoram na época otomana com a ajuda dos Reis de França, pelo regime des Capitulations. As relações permanecem graças aos missionários Franciscanos, no inicio, e mais tarde pelos Jesuítas, Capuchinos, Carmelitas, Lazaristas e outros. Essa abertura não se separa do conjunto das relações religiosas, políticas e econômicas entre Oriente e Ocidente.

A época de Fakreddin II (1598-1635) pode ser considerada como a idade de ouro das relações da Igreja Maronita com Roma. O Emir recorreu ao Patriarca Yuhanna Maklouf pedindo a sua intervenção perante o Papa para poder garantir a independência do Líbano. O Patriarca atendeu a seu pedido encarregando grandes escritores formados no Colégio Maronita de Roma de trabalhar como embaixadores do Emir em Roma, Toscana e Espanha. Citamos entre eles o Bispo Jorge Humaira (futuro Patriarca) e o Professor Ibrahim Alhaqlany.

As relações com Roma consolidaram-se graças ao Colégio Maronita de Roma fundado em 1584. Ele consagrou uma abertura seria da Igreja siríaca maronita de Antioquia à Igreja Latina de Roma. Essa abertura não podia ser isolada do conjunto das relações religiosas, políticas e econômicas entre Oriente e Ocidente. Assim, o projeto cultural, inaugurado pela Santa Sé, após a secessão protestante é consolidado pelo regime des Capitulations entre Europa e Istanbul , auqual o Patriarcado Maronita aderiu plenamente, afim de contribuir aos intercâmbios entre esses dois Mundos.

A partir da época do Mandato francês (1918- 1943), as relações do Líbano com Europa, especialmente com Roma e Paris, ficaram perfeitamente normais, graças à presença de numerosos sacerdotes, religiosos, religiosas, colégios e homens políticos franceses no Líbano.

Além disso, os Papas prestaram com suas bondosas palavras um valioso testemunho que enche de orgulho e de satisfação o povo maronita. Assim, Leon X escrevia, em 1515, ao Patriarca Maronita Simaan Alhadacy: Convém agradecer à divina clemência porque, entre as nações orientais, o Altíssimo queria que os Maronitas fossem como rosas entre espinhos.

Clemente XII em 1735, qualifica a Nação Maronita de rosa entre os espinhos, de roca muito solida contra a qual se rompem as fúrias da infidelidade e das heresias.

Pio X disse: “Amamos todos os Cristãos do Oriente, porém os Maronitas ocupam um lugar especial em nosso coração , porque foram em todo tempo a alegria da Igreja e o consolo do Papado… A fé católica está arraigada no coração dos Maronitas como os antigos cedros estão enraizados por suas poderosas raízes nas altas montanhas de sua Pátria.”

Não é necessário estender-se mais sobre este sublime apreço dos Papas aos Maronitas. É muito eloqüente a atitude dos dois últimos Pontífices convivendo com os dramas que afeitaram ao Líbano na ultima guerra que castigou cruelmente o País durante 17 anos. As palavras, os gestos, a preocupação quase diária foram a manifestação continua do afeto mais puro e sincero do Papa João Paulo II, de feliz memória, para o Líbano. Tudo isso foi um suave balsamo para as feridas do povo maronita e uma forte dose de esperança para os filhos de São Maron, em sua árdua luta para uma digna supervivência . Lembramos com grande apreço a convocação para uma assembléia especial do Sínodo dos Bispos dedicado ao Líbano, como também a visita do Papa em maio 1997 para os Cristãos deste país.

Tudo isto porque os Maronitas representam, sobre esta pequena superfície, que é o Líbano, os valores de eternidade, de civilização e de humanismo. Abrindo seus corações a Roma e aos ensinamentos que emanam da Sede de Pedro, numa submissão racional que os honra e os enobrece, eles continuam guardando com o Oriente o sentido vivo das tradições legadas pela Igreja de Antioquia. Seu apego à Roma confirma e consolida mais as suas tradições antioquenas. Em Roma, como em Oriente, se sentem plenamente em sua casa. Mais além do confessionalismo estreito, vivem dentro da Católica , numa alma católica.

Fonte: http://wiki.cancaonova.com/index.php/Igreja_Maronita

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